"O Poeta se faz vidente por meio de um longo, imenso e refletido
desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de
sofrimento, de loucura; ele procura ele mesmo, ele esgota nele todos os
seus venenos, para só guardar as quintessências. Indizível tortura na
qual ele precisa de toda a fé, de toda a força sobrehumana, onde se
torna entre todos o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito
--e o supremo Sábio! --Pois ele chega ao desconhecido! Porque ele
cultivou a sua alma, já rica, mais do que nenhum! Ele chega ao
desconhecido, e quando, enlouquecido, ele acabaria por perder a
inteligência de suas visões, ele as viu! Que ele morra no seu salto
pelas coisas incríveis e inomáveis: chegarão outros horríveis
trabalhadores; eles começarão pelos horizontes onde o outro se
curvou!(...)Estes poetas serão! Quando será derrubada a infinita
servidão da mulher, quando ela viverá para ela e por ela, o homem --até
agora abominável--, tendo-a despedida, ela será poeta, ela também! A
mulher descobrirá o desconhecido! Seus mundos de idéias divergirão dos
nossos? Ela encontrará coisas estranhas, insondáveis, repugnantes,
deliciosas; nós as teremos, nós as entenderemos. Por enquanto, vamos
pedir aos poetas novidade --idéias e formas."
Arthur Rimbaud
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